7 de maio de 2012

Teu Abraço de Boa Noite

Leo Munhoz - A Notícia Online - 07/05/2012
Meia-noite, um pensamento, o travesseiro e a lembrança. A lembrança se traduz em sonho, em suspiros, talvez até em desejos. O cobertor aquece, mas não substitui o calor do abraço que poderia te acompanhar ao invés desta (momentânea) solidão. E você sente falta daquele abraço.

Do abraço, ou da conversa gostosa, ou do beijo, ou da ligação e do sorriso que lhe é arrancado no meio da madrugada. Ou quem sabe até de sentir tudo isso ao mesmo tempo. Um desejo reprimido desde sexta passada, desde ontem, desde a aproximação da pessoa que lhe chamou a atenção na festa de dança ou desde aquele primeiro bom dia após a porta do elevador abrir. Principalmente se este "bom dia" vier acompanhado de simpatia e sorriso sincero.

É sonho? Mas por que ainda está em preto e branco? Seria a falta do abraço que transforma sentimentos, que compõe o colorido desta amizade-paixão-amor tão bonita? Qual é o sentido da insistência deste pensamento tão forte, de toda esta intensidade de sensações?

Afinal, o que está acontecendo? Alguém consegue explicar o que se sente por aqui? Ou seria algo que não se pode definir? Ah, chega de tantas perguntas. O tempo se encarrega em mostrar os caminhos, colorir o que ainda precisa ganhar cor, fazer as dúvidas virarem certezas. Por enquanto, fico aqui, pensando e sonhando com esta luz, este desejo. E não se espante se o telefone tocar de madrugada, ou se um sorriso aparecer as três da manhã, ou se você abrir o e-mail de manhã e encontrar um bom dia, como aquele do elevador. Faz parte do jogo, do sonho, de viver o momento e as lembranças. Por ora, só me resta voltar ao travesseiro, e pensar que o cobertor pode vir a ser teu abraço daqui a pouco. Boa noite.

Maria Rita - O Que É o Amor?
(Arlindo Cruz/Fred Camacho/Maurição)
DVD Samba Meu
(c) 2008

8 de fevereiro de 2012

Seu Carro é Vermelho

Os olhos são azuis. No seu caso, podem ser verdes, ou castanhos. Quer saber, a cor dos olhos é o que menos importa, o que importa é que aquele olhar deve ser, hoje, o mais belo do mundo. O que aconteceu com o outro antes de vocês se conhecerem, o sotaque arrastado, a mania de coçar a cabeça quando está preocupado, tudo pra ti é bobagem. O que importa é que quando vocês estão juntos você sorri. Você ri muito. Você se sente bem.

Vocês se encontram às vezes. E aí, não importa se vão a pé, de ônibus, num carro importado ou num carro popular vermelho 1.0, o que importa é que você recebe carinho no caminho de minuto em minuto. E esse carinho pode ser amor, paixão, afeto... mas te pegou. E agora você sente maturidade nos atos, uma paixão sem pensar nas consequências que virão depois, ou melhor, apenas vive. As marcas do passado são usadas para valorizar o presente, não pra lamentar o que não deu certo. E assim a felicidade ressurge.

E preocupações? Pra que? Você tem muita coisa boa ao seu lado pra se preocupar. Vai fundo. Viva. O que vai acontecer? Deixa pra ver depois.

8 de janeiro de 2012

Arrependimentos e Erros se Tornam Memórias

O tempo cura. O tempo faz as lembranças se tornarem mais brandas. Mas o tempo não apaga o que foi “pra sempre”. Ironia maior é dizer que apenas no fim você descobre que tudo o que você falava sobre eternidade é verdade.

Novos amores surgem. Amores mais fortes, intensos, duradouros, eternos. Mas todo o sentimento que se jura eterno permanece, de certa forma, eterno. Promove a mudança, faz de quem sofre alguém melhor, deixa marcas que nada na vida apaga.

Por isso que a história fica. Por isso que, por mais que as cartas e lembranças sejam postas no lixo, não se consegue rasgá-las. Por mais que você se desfaça das fotos, as imagens surgem na sua mente – e nos sonhos. Tudo parece um pesadelo, afinal, de qualquer um dos lados – o do coração partido e daquele que o parte – os sonhos foram deixados para trás. A tristeza toma conta. É difícil admitir que um amor de algum tempo tenha se transformado apenas em desgaste, em costume. Mais difícil é admitir que não será pra sempre, apesar de eterno. Demoram-se meses, anos para que essa descoberta seja feita. E ainda assim, a certeza de que essa escolha foi certa nunca será absoluta. E por isso que é tão estranho e ao mesmo tempo maravilhoso quando descobrimos que a vida continua. E que todos aqueles erros, os arrependimentos que surgem depois de uma mudança dessas, tudo aquilo se tornam lembranças boas. Boas porque nos melhoram. Boas porque nos tornam pessoas melhores. Até o perdão – que parece a atitude mais difícil – acontecerá em um momento.

Eu também chorei quando aquele portão se fechou, sem sorrisos ou beijo de despedida. Eu me emocionei, sofri, me questionei, balancei, e também pensei que não encontraria algo que preenchesse essa falta. Também precisei de amigos que levantassem minha cabeça e que me dissessem: siga em frente. Também passei a considerar conceitos de outra forma depois que tudo aconteceu. Perdão, amor, confiança, prioridades... Também passei a ver algumas pessoas de maneira mais positiva, valorizar mais quem está ao meu lado. Passei a correr mais atrás de meus sonhos. E aprendi que, neste ciclo de emoções que é a vida, cedo ou tarde você encontra o que te preenche, o que te completa. E que, apesar dos erros e de outras coisas que podem levar ao arrependimento, a força para seguir em frente sempre surge, quando e de onde menos se espera. Dores de amor são superáveis, apesar de aparentemente insuportáveis. E é possível acreditar que, um dia, possa se encarar tudo isso olhando nos olhos, com perdão, ternura e o consentimento de que isto deveria ter acontecido. Que a amizade não seja tímida, mesmo que para isso se demorem mais alguns anos. E que tudo de melhor lhe aconteça.

Que Deus te abençoe.

4 de janeiro de 2012

Reconstruindo o Mundo, por Paulo Coelho

O pai estava tentando ler o jornal, mas o filho pequeno não parava de perturbá-lo. Já cansado com aquilo, arrancou uma folha - que mostrava o mapa do mundo - cortou-a em vários pedaços, e entregou-a ao filho.

“Pronto, aí tem algo para você fazer. Eu acabo de lhe dar um mapa do mundo, e quero ver se você consegue montá-lo exatamente como é”.

Voltou a ler seu jornal, sabendo que aquilo ia manter o menino ocupado pelo resto do dia.

Quinze minutos depois, porém, o garoto voltou com o mapa.

“Sua mãe andou lhe ensinando geografia?”, perguntou o pai, aturdido.

“Nem sei o que é isso”, respondeu o menino. “Acontece que, do outro lado da folha, estava o retrato de um homem. E, uma vez que eu consegui reconstruir o homem, eu também reconstruí o mundo”.

2 de janeiro de 2012

Naquela Meia-Noite

Passou-se aquela meia-noite em que todos se abraçam e desejam votos de felicidade. Aquela meia-noite em que você promete para si mesmo que tudo será diferente dali para frente. Tudo o que você passou durante os últimos 365 dias – lindos ou não tão proveitosos – se apaga. Você pode ficar até impressionado pela necessidade de uma data para isso, mas se determina a pensar diferente, sonhar diferente, fazer diferente.

A sua vida nova deve começar com o descarte de todos os sentimentos ruins, e não apenas das lembranças ruins. A amargura, o rancor com o que talvez não te agradou, as velhas (ou nem tão velhas) desavenças construídas, tudo isso deve ser superado. O clichê de “ano novo, vida nova” deve realmente ser colocado em prática, sob o risco de, caso contrário, ter sua vida presa a um mais do mesmo.

Agradeça. Sonhe. Esqueça. Viva. Corra. Realize.A busca da paz, tão pedida enquanto os fogos de artifício explodiam naquela meia-noite está mais perto do que você imagina. O paraíso está ao lado. O bem está dentro do teu coração. Ofereça-o. E não se importe com o mal que possam vir a te oferecer. Alguns apenas oferecem o que tem, nada mais.

Que a paz prevalesça agora, e durante todos estes dias. Para que na próxima meia-noite em que alguém te desejar a paz, você possa sorrir o sorriso de quem já a tem.